Remédio pior que a doença: emergência humanitária em nome da saúde coletiva

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Desde o começo da crise sanitária causada pelo vírus chinês, a politização de um problema médico tem levado a resultados catastróficos. A concretização do mantra entoado por alas ideológicas de que “a economia a gente vê depois” já se mostrou um completo desastre.

Fechamento do comércio, toques de recolher, isolamento, lockdown e outras medidas arbitrárias impostas por governadores e prefeitos causaram mais problemas à população do que o próprio vírus. Suicídios, comorbidades, depressão, violência doméstica, escassez de atendimento médico para outras doenças e fome são alguns desses males.

A grande imprensa noticia os números [questionáveis] de mortos pela doença e até os utiliza como pano de fundo para uma narrativa que nega a eficácia do tratamento preventivo, mas não dá a mesma importância aos graves problemas causados por medidas ditatoriais.

Ainda em 2020, o chefe do escritório brasileiro do Programa Mundial de Alimentos, Daniel Baladan já havia alertado o mundo para os efeitos econômicos do vírus chinês. Segundo o especialista, a crise sanitária poderia levar cerca de 130 milhões de pessoas no mundo à extrema pobreza e dobrar o número de pessoas com fome crônica, ou seja, quando não se têm alimentos suficiente no final do dia. A estimativa do Banco Mundial era que até o final do ano passado, cerca de 14,7 milhões de brasileiros passariam para a extrema pobreza.

Na contramão da realidade e seguindo outros exemplos de politicas perversas, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), criou um projeto de lei para multar quem distribuir comida aos moradores de rua. A multa varia entre R$ 150,00 e R$ 550,00 para quem fizer caridade “sem autorização”. Segundo a prefeitura, Curitiba tem quase 3 mil moradores de rua e grande parte deles depende da caridade para matar a fome.

Foto reprodução

Apesar de ter chocado muita gente e suscitado críticas, o projeto segue em análise na Câmara.

Em postagem nas redes sociais, o prefeito disse que a lei foi “mal interpretada”. A justificativa para o projeto seria a desorganização da caridade. Segundo a prefeitura, hora os alimentos distribuídos são escassos, hora são excessivos. A prefeitura destaca que quando em excesso há o “acúmulo de resíduos orgânicos e rejeitos nas vias públicas, ocasionando a proliferação de pragas e vetores urbanos, e, consequentemente, trazendo riscos à saúde da população em situação de rua”.

A opção oferecida pelo prefeito é a monopolização e estatização da caridade. Se aprovada a lei, os moradores de rua só poderão receber alimentos em espaços controlados pela prefeitura. Esses espaços estão sendo chamados de “Mesas Solidárias”.

Pernambuco

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), suspendeu o programa Sopa Solidária que atendia quase 13 mil pessoas carentes na capital. O Sopa Amiga foi criado há mais de 20 anos e trata-se de uma iniciativa dos comerciantes do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa-PE) em parceria com o governo do Estado.

A sopa é feita a partir de vegetais que “restaram” da feira no final do dia e que não têm mais valor comercial, mas conservam o valor nutricional. A sopa é preparada em um galpão dentro do próprio Ceasa e levada a mais de 30 pontos de distribuição, como associações, ONG’s, asilos, etc. O recolhimento dos alimentos e o preparo são de responsabilidade do Ceasa e a logística de distribuição fica por conta do Estado.

A denúncia da suspensão foi feita pelo deputado, Coronel Alberto Feitosa (PSC), em sessão plenária na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe) no dia 1 de abril. “A notícia é de que em plena pandemia, quando as pessoas mais precisam, o programa foi paralisado pelo governador Paulo Câmara. O programa atende a quem passa fome e agora com a pandemia isso piorou muito”, disse o parlamentar.

Após a denúncia, o deputado Aluísio Lessa, da bancada governista, disse que o programa havia sido suspenso por causa de um problema técnico com a caldeira onde a sopa é produzida e que a entrega da sopa será normalizada no próximo dia 5.

Argentina

No final de março deste ano, imagens de argentinos brigando por comida viralizaram nas redes sociais. A cena aconteceu na cidade de Bartolomé de las Casas, na província de Formosa.

Em janeiro, o governador de Formosa, Gildo Insfrán, mantinha quase 19 mil pessoas confinadas em ginásios, escolas e hotéis com escassez de água, comida, higiene e atendimento médico sob pretexto de combater o vírus chinês. Insfrán foi denunciado por graves violações dos direitos humanos e à liberdade de imprensa.

Pela internet circulam imagens de argentinos sendo arrastados, presos e amontoados em locais e condições análogas às condições sub-humanas de campos concentração. Segundo denúncia da Anistia Internacional da Argentina, muitas pessoas presas nesses locais testaram negativo para Covid-19.

Não bastasse o horror causado em mais de um ano por essa “política sanitária”, o governador ainda persegue mulheres grávidas e as separam de seus filhos. As tropas policiais de Insfrán buscam gestantes prestes a dar à luz para que seja forçada uma cesária e após o parto, o bebê é levado e isolado longe da mãe. Esse drama é vivido por mulheres aborígenes também da região de Formosa.

Fome na América Central

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o colapso econômico causado pelas medidas de combate ao vírus chinês já levaram quase 8 milhões de pessoas a passar fome na América Central. De acordo com a ONU, o número de pessoas passando fome em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua quase quadriplicou nos últimos dois anos.